E aos poucos, outro instalou-se. E eu que pensei que tinha as defesas am alta (qual castelo bem murado) fui deixando que a falta de amor corroesse a pedra do que era. e o castelo cedeu. aos poucos, sem que eu percebesse senão muitos meses depois.
Pergunto-me se temos noção do que os outros fazem em nós na altura em que o fazem (e a pergunta tanto é válida para o que fazem de mal como de bem). Pergunto-me se temos noção do que fazemos no outro.
As vezes olho algumas das pedras da fortaleza que fui, ainda derrubadas na areia e choro a sua reconstrução. Porque sei que depois de violentamente deitadas a baixo, erguer-se-ão, duplamente fortes, impenetraveis. E ser impenetravel não é ser humano. E irrito-me porque o meu castelo não tinha de ter sido corroído pela violência de outros. E irrito-me por ter permitido essa violencia aos outros. Será que temos noção do que os outros fazem em nós? Será que temos noção do que fazemos nos outros.
segunda-feira, 2 de maio de 2005
segunda-feira, 18 de abril de 2005
como vão acreditar?
Tenho em mim esta necessidade que me corroi
Este grito que desespera por saír
Esta ansia de dizer a todo o mundo
Que o mundo é mais que aquilo que se vê
Que a tv não passa a realidade
Nem a verdade do que sei e do que sou
Tenho cá dentro a vontade de dizer
Que a vida se constrõi devagarinho
É feita de grandes feitos e pequenos disparates
Que a felicidade está nos passos do caminho
Entre um dia de tristeza
E uma noite de euforia
E preciso de gritar
Que a paz não é uma utopia
Que o mundo não tem de ser injusto
E que é possivel viver a Alegria
De quem comtempla o céu e agradece as estrelas
Olha o outro e abraça a Vida
E como podes acreditar
Se eu não for capaz
De soltar o grito em mim
De por a Palavra a vibrar
De sussurrar-te ao ouvido
Que o Amor é o segredo
que tenho pra partilhar.
Este grito que desespera por saír
Esta ansia de dizer a todo o mundo
Que o mundo é mais que aquilo que se vê
Que a tv não passa a realidade
Nem a verdade do que sei e do que sou
Tenho cá dentro a vontade de dizer
Que a vida se constrõi devagarinho
É feita de grandes feitos e pequenos disparates
Que a felicidade está nos passos do caminho
Entre um dia de tristeza
E uma noite de euforia
E preciso de gritar
Que a paz não é uma utopia
Que o mundo não tem de ser injusto
E que é possivel viver a Alegria
De quem comtempla o céu e agradece as estrelas
Olha o outro e abraça a Vida
E como podes acreditar
Se eu não for capaz
De soltar o grito em mim
De por a Palavra a vibrar
De sussurrar-te ao ouvido
Que o Amor é o segredo
que tenho pra partilhar.
domingo, 27 de março de 2005
( )
O deserto é, até para explicá-lo, a ausência. Neste caso seria a ausência de palavras porque perante tal dimensão da natureza, o que nos surge é da ordem da sensação, do sentimento e não da razão. O deserto é o sublime, é o extremo, é um vazio repleto de coisas. Ali não há nada senão céu e terra. E ambos são imensos. O céu é azul até perder de vista. E a terra é volátil, de areia laranja e sempre igual. Ali o homem vive porque sabe que nunca controlará nem o céu nem a terra. E aprendeu a conhecer-lhe os ritmos, os rastos, os sinais. (GPS berbere, diria o Hassam).
Viver no deserto é aprender a viver um dia de cada vez. Porque perante uma tempestade de areia nada é estável ou previsível. Viver no e do presente. Porque o futuro a Alá pertence. E é tão difícil para alguém demasiado urbano como eu assimilar esta forma de estar. Porque o estar adquire uma importância enorme.
Viver no deserto é aprender a viver um dia de cada vez. Porque perante uma tempestade de areia nada é estável ou previsível. Viver no e do presente. Porque o futuro a Alá pertence. E é tão difícil para alguém demasiado urbano como eu assimilar esta forma de estar. Porque o estar adquire uma importância enorme.
quinta-feira, 24 de março de 2005
quarta-feira, 23 de março de 2005
deserto
Parti para o deserto com pouco mais que a vontade de estar no deserto. Na mochila levava ainda duas máquinas fotográficas e o principezinho que reli a luz da vela, enquanto bebericava um chá quente e muito doce. O luar enchia as dunas de sombras e as estrelas estavam piscas.
[para a S, I, T, I, J, P, A, G, o que ficou por ler...]
"Na primeira noite adormeci pois na areia a mil milhas de qualquer lugar habitado. Estava bem mais isolado do que um náufrago sobre uma jangada no meio do Oceano. Podem assim imaginar a minha surpresa quando, ao nascer do dia, fui despertado por uma vozinha engraçada que dizia:
_Por favor…desenha-me uma ovelha!

Esta é para mim a mais bela e a mais triste paisagem do mundo. (…)
Foi aqui que o Principezinho apareceu na Terra e depois desapareceu.
Olhem atentamente esta paisagem de modo a terem a certeza de a reconhecer, se viajarem um dia em África, no deserto.
E se vos acontecer passarem por lá suplico-vos,
não se apressem,
esperem um pouco sob a estrela!
Então se uma criança for ter convosco,
se ela rir,
se tiver cabelos doirados,
se não responder quando lhe fazem perguntas, adivinharão de quem se trata.
Então sejam amáveis!
Não me deixem assim tão triste: escrevam-me depressa dizendo que ele voltou…!"
[O Principezinho, Antoine de Saint-Exupéry]
[para a S, I, T, I, J, P, A, G, o que ficou por ler...]
"Na primeira noite adormeci pois na areia a mil milhas de qualquer lugar habitado. Estava bem mais isolado do que um náufrago sobre uma jangada no meio do Oceano. Podem assim imaginar a minha surpresa quando, ao nascer do dia, fui despertado por uma vozinha engraçada que dizia:
_Por favor…desenha-me uma ovelha!
Esta é para mim a mais bela e a mais triste paisagem do mundo. (…)
Foi aqui que o Principezinho apareceu na Terra e depois desapareceu.
Olhem atentamente esta paisagem de modo a terem a certeza de a reconhecer, se viajarem um dia em África, no deserto.
E se vos acontecer passarem por lá suplico-vos,
não se apressem,
esperem um pouco sob a estrela!
Então se uma criança for ter convosco,
se ela rir,
se tiver cabelos doirados,
se não responder quando lhe fazem perguntas, adivinharão de quem se trata.
Então sejam amáveis!
Não me deixem assim tão triste: escrevam-me depressa dizendo que ele voltou…!"
[O Principezinho, Antoine de Saint-Exupéry]
terça-feira, 22 de março de 2005
segunda-feira, 21 de março de 2005
domingo, 20 de março de 2005
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2005
setôooraaaa
Em poucos meses habituei-me a que me chamassem setôraaaa. E o que de início era uma desconfortavel forma de estar numa pele que me parecia demasiado distante para mim, acabou por tornar-se, com o tempo, a maneira natural de estar e ser….stôra.
A dificuldade de decorar tantos nomes (que corespondia à aflição de pensar que nunca alcançaria a individualidade dos meus 55 alunos adolescentes foi-se desvanecendo. Afinal o meu papel (que não começa nem acaba na sala de aula) é só um, entre tantos outros, arranhões nas suas vidas. E esforço-me para que a marca seja qualquer coisa mais que a matéria que evaporará.
O desafio inicial de pegar em duas turmas demasiado irrequietas e irreverentes (leia-se mal comportadas) é agora a minha maneira agradecida de olhar para tantas vidas interessantes: porque questionam, reivindicam, criticam,… não descobriram, é certo, a forma mais educada de o fazer, mas a vida adulta tratará de os ensinar.
E agora que aproveito a única aula do período em que me consigo sentar e olhá-los (demasiado concentrados a dar resposta a um teste nada simples) penso no bem que o stôra já me soa e no quanto gosto destes meus alunos exactamente por não serem os obedientes meninos de colégio que toda a gente espera que sejam!
[Sala A3, 11:30 da manhã]
A dificuldade de decorar tantos nomes (que corespondia à aflição de pensar que nunca alcançaria a individualidade dos meus 55 alunos adolescentes foi-se desvanecendo. Afinal o meu papel (que não começa nem acaba na sala de aula) é só um, entre tantos outros, arranhões nas suas vidas. E esforço-me para que a marca seja qualquer coisa mais que a matéria que evaporará.
O desafio inicial de pegar em duas turmas demasiado irrequietas e irreverentes (leia-se mal comportadas) é agora a minha maneira agradecida de olhar para tantas vidas interessantes: porque questionam, reivindicam, criticam,… não descobriram, é certo, a forma mais educada de o fazer, mas a vida adulta tratará de os ensinar.
E agora que aproveito a única aula do período em que me consigo sentar e olhá-los (demasiado concentrados a dar resposta a um teste nada simples) penso no bem que o stôra já me soa e no quanto gosto destes meus alunos exactamente por não serem os obedientes meninos de colégio que toda a gente espera que sejam!
[Sala A3, 11:30 da manhã]
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2005
chuva!!!!!!!!!!!!
Saí do metro e, em pleno Rossio não consegui conter os braços esticados, como que a abraçar os pingos tímidos que tornavam o chão escorregadiu. É verdade, já tinha saudades de andar à chuva, com a cara virada bem para cima, para ver de onde caem as gotas!!!
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2005
e daqui a dez anos?
Dez anos mais.
Alguém a acordar ao lado de um marido que, reparando bem, já nem acha muito atraente, Alguém a levantar-se apressada porque antes de levantar as crianças, há que fazer almoços (ou requentar jantares passados), engavetá-los em termos, tomar banho e recolocar o sorriso na cara. Há crianças para vestir, levar à escola, mimar. Há um dia de trabalho pela frente: oito horas de stress e cansaço, em frente a um computador ou numa sala de aula. Há um dia de trabalho depois do trabalho a começar, com banhos para dar, trabalhos de casa para fazer, jantar por cozinhar, …
Alguém a adormecer ao lado de um homem com quem, pensando bem, já nem tem assim tanto em comum.
E o que aconteceu em dez anos?
Porque ela desejara passar todos os dias da sua vida ao lado daquele namorado por quem se apaixonara. Porque ela desejava ser mãe acima de qualquer outra coisa. E manter a independência de um trabalho que a realizasse. E passou dez anos a lutar pelo que desejou.
É assustador pensar que podemos alcançar tudo aquilo que desejamos e, ainda assim, não sermos felizes. Numa época em que nos ensinam que a felicidade está na realização dos desejos (sejam eles da ordem do ter ou do ser) é possivel lutar e atingir tudo o que se deseja e viver na mediocridade. E lutar pelo que se deseja é algo muito positivo. E receber como prémio da luta, uma vida mediocre é, no mínimo, frustrante.
A única fuga possivel é lutar por algo maior que um desejo
A única fuga possivel é utopica, ética, do interior
A única fuga possivel é sonhar
E porque sonhar não é uma fuga mas uma necessidade, sonhar não é fechar os olhos a uma ilusão mas traduzir grandes feitos em pequenas coisas dos dia a dia.
Alguém a acordar ao lado de um marido que, reparando bem, já nem acha muito atraente, Alguém a levantar-se apressada porque antes de levantar as crianças, há que fazer almoços (ou requentar jantares passados), engavetá-los em termos, tomar banho e recolocar o sorriso na cara. Há crianças para vestir, levar à escola, mimar. Há um dia de trabalho pela frente: oito horas de stress e cansaço, em frente a um computador ou numa sala de aula. Há um dia de trabalho depois do trabalho a começar, com banhos para dar, trabalhos de casa para fazer, jantar por cozinhar, …
Alguém a adormecer ao lado de um homem com quem, pensando bem, já nem tem assim tanto em comum.
E o que aconteceu em dez anos?
Porque ela desejara passar todos os dias da sua vida ao lado daquele namorado por quem se apaixonara. Porque ela desejava ser mãe acima de qualquer outra coisa. E manter a independência de um trabalho que a realizasse. E passou dez anos a lutar pelo que desejou.
É assustador pensar que podemos alcançar tudo aquilo que desejamos e, ainda assim, não sermos felizes. Numa época em que nos ensinam que a felicidade está na realização dos desejos (sejam eles da ordem do ter ou do ser) é possivel lutar e atingir tudo o que se deseja e viver na mediocridade. E lutar pelo que se deseja é algo muito positivo. E receber como prémio da luta, uma vida mediocre é, no mínimo, frustrante.
A única fuga possivel é lutar por algo maior que um desejo
A única fuga possivel é utopica, ética, do interior
A única fuga possivel é sonhar
E porque sonhar não é uma fuga mas uma necessidade, sonhar não é fechar os olhos a uma ilusão mas traduzir grandes feitos em pequenas coisas dos dia a dia.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2005
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2005
mais perto do céu
Eu sempre gostei de alturas, de sentir o vento forte na cara no topo de qualquer imensidão. De sentir que estou com os pés assentes na terra (que conheço a realidade em que vivo) e que tenho o céu ao alcance das mãos!
Eu sempre gostei de branco. É uma cor fascinante porque tanto é a soma de todas as outras como a não existência de cor. É uma aproximação simbolica da perfeição, tanto é a imensidão do todo como a ausência de nada.
Eu sempre gostei de testar os meus limites físicos. Gosto de forçar o corpo, de o tornar mais elástico, de testar o medo, de me aproximar da adrenalina.
Era impossivel não gostar de esquiar. Mas a verdade é que não estava à espera de gostar tanto. E de me sentir em casa tão rapidamente. Gostei de estar constantemente na fronteira entre o que posso controlar (a minha força, o meu equilíbrio) e o que é mais forte que eu (as forças e os equilibrios da natureza). E perceber que o prazer de descer uma montanha com um metro de pés está no constante jogo de forças entre o eu e o mundo branco, entre o medo e o domíneo. Ou está simplesmente em disfrutar de estar tão perto de céu e, ao mesmo tempo, tão agarrada à terra! Porque às vezes é dificil explicar as sensações que se aproximam a grande velocidade da imensidão.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2005
em resposta a um comentário sobre o filme...
Closer é muito mais que um filme em que a intimidade é sinónimo de sexo. É uma história que nos faz parar e pensar que papel precisamos que o outro represente na nossa vida para o deixarmos entrar no nosso mundo. E apesar das relações serem aparentemente fotografadas pelo seu lado físico, o que está expresso em closer é o psicológico que motiva essas mesma relações. E daí o fascíneo do filme. Talvez estejemos "demasiado perto" do ecrã para entender a complexidade do filme à primeira!
quinta-feira, 20 de janeiro de 2005
e porque amanhã é sexta feira...
O melhor das sextas feiras de inverno têm sido os rituais. O forçar-me a saír da cama mais cedo (mesmo quando quinta feira avança pela noite a dentro) porque o tempo está bom. O permitir-me mais tempo para me arranjar deixando toda a perguiça matinal entre as quatro paredes de casa.
O melhor das sextas feiras é o Público comprado na tabacaria da rua e a curta viagem de metro a folheá-lo, procurando qualquercoisa graficamente interessante. É o café tomado no café do bairro sem pressas.
O melhor das sextas é atravessar ilesa o pátio onde dezenas de alunos jogam à bola e, satisfeita, dizer Bom Dia a quem se encontra já na sala.
O melhor das sextas feiras passa-se antes sequer do dia (útil) começar. Passa-se nas pequenas coisas que antecedem a rotina.
O melhor das sextas feiras é o Público comprado na tabacaria da rua e a curta viagem de metro a folheá-lo, procurando qualquercoisa graficamente interessante. É o café tomado no café do bairro sem pressas.
O melhor das sextas é atravessar ilesa o pátio onde dezenas de alunos jogam à bola e, satisfeita, dizer Bom Dia a quem se encontra já na sala.
O melhor das sextas feiras passa-se antes sequer do dia (útil) começar. Passa-se nas pequenas coisas que antecedem a rotina.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2005
Há coisas que são porque têm que ser
Como o tempo estava inesperadamente bom, saiu para a varanda e o jardim, lá em baixo, tornou-se mais amplo. Entre o café quente, o sol a bater nas costas e uma mesa cheia de amigos, aquele local pareceu-lhe deliciosamente pacifico. Um bom pressagio para o ano que acabara de começar. Tempo de serenidade num ano de mudanças!
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