sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006

para matar saudades....

das horas infindáveis que passavamos em frente à televisão!
momentos mágicos

abri o mail e...

Olá professora Ana!!
Gostavamos de lhe dizer que já estamos todos com muitas saudades suas e das aula de Expressão Plástica. esperamos que melhore depressa e que regresse rápido para a escola.
Um beijinho muito grande de todos nós...
Os alunos do 3.º A

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

escolhas rapidas a um ritmo lento

Isto de ter de escolher cores e materiais para decoração de interiores, sem experiência nem tempo e com a fraqueza no corpo, não é simples. Regressei aos velhos caran d'ache e aos desenhos à mão levantada para tentar visualizar ambientes. Gostava de ter sido mais ousada (cheguei a fazer desenhos com combinações surreais e bem interessantes) mas tive medo de sufocar no meio da salada de frutas colorida em que estava a transformar o espaço que será a minha casa de banho!
Fiquei-me por uma casa de banho hospitalar de cores assumidas e uma cozinha verde para combinar com as hortaliças!


ao ritmo do caracol

Eu que sempre me gabei de não existir muita gente capaz de acompanhar a minha passada acelarada, dou comigo a andar à velocidade do caracol. A parar muitas vezes e a respirar fundo para ganhar folego.
Ao fim de ouvir uma hora e pouco de formação, adormeço como se não tivesse dormido dez horas antes.
Desço à rua para qualquer coisa e chego sedenta de um sofá para me sentar.
Dou voltas e voltas na cadeira do cinema, em busca da melhor posição para adormecer.
E sinto o corpo mole e pesado a maior parte do dia.
Mas nem tudo é desesperante. Do dia para a noite (da noite para o dia, para ser mais exacta) a minha garganta voltou ao seu estado de garganta normal, capaz de engolir e falar. Ao fim de uma semana inteira (192horas) de luta, numa batalha que durou pouco mais de 10horas, os meus anticorpos venceram a infecção da garganta. Tendo como único aliado, um actimel por dia. É engraçado, como o organismo reage aos virus que, sem a nossa autorização, nos habitam!!!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2006

apetecia-me tanto...

uma fatia de pizza quentinha
ver o mar revolto e barulhento
beber agua em goladas grandes que matam a sede
jantar fora
beber café ao pé do rio
passear...pelo inverno de lisboa

terça-feira, 31 de janeiro de 2006

as minhas amigdalas sao maiores que as tuas!

MONONUCLEOSE INFECCIOSA
"É uma síndrome clínica caracterizada por mal-estar, dor-de-cabeça, febre, dor-de-garganta, aumento de gânglios ou ínguas localizadas no pescoço ou generalizadas e inflamação do fígado (hepatite) leve e transitória.
Como a maioria das doenças causadas por vírus não há tratamento disponível nem mesmo é necessário uma vez que na maior parte das vezes ela é autolimitada."


Aquilo que começou por uma amigdalite irritante porque teimava em não passar (e a comida também já não passava na garganta tal é o tamanho abismal das minhas amigdalas salpicadas de branco), transformou-se numa mononucleose. Transformou-se não, porque sempre foi, o diagnóstico inicial é que não correu da melhor maneira.
Ao que parece a mononucleose dá cansaço, um tal cansaço que há quem pareça ter hibernado, de tanto dormir. O que eu ainda não percebi é se não me sentia cansada ou se, por estar tão habituada a lidar com o cansaço (e a ignorá-lo) ele se tornou o meu estado normal de viver e não um sintoma.
E assim me encontro, de baixa pela primeira vez na vida, sem saber o que fazer ao tempo (que quando se está doente não sabe a férias!) e meia perplexa com este meu organismo que se deixa vencer por um virus. Logo eu, que detesto virus, esses nao-seres irritantes que teimam em impor os seus próprios tempos de vida.
Como qualquer ocidental urbana com actividade a mais estou a aprender a parar, a dar tempo ao meu corpo, a ajudá-lo com as defesas, tentando não exigir a cura para ontém. E uma vez que não há tratamento possivel vindo do mundo farmaceutico, estou a torcer pelos meus anticorpos nesta lenta batalha interna!

domingo, 29 de janeiro de 2006

a ocasiao

documentário de Cláudia Alves e Rita Brás | 50'
29 Janeiro, Domingo, 16 horas, Fórum Lisboa
in








www.apordoc.ubi.pt
www.videotecalisboa.org

sábado, 28 de janeiro de 2006

metamorfoses

Esta semana tenho acordado todos os dias com olhos de peixe. Quando saio para a rua já é possivel olhar para mim e identificar uma pessoa. Quando acordo sou um misto de batráquio e lula.
Ainda não percebi qual a causa de tão estranho fenómeno que me deixa a cara deformada dia fora. Será a combinação dos 10/12 comprimidos que estou a tomar cada dia? Será que o meu corpo está realmente em transformação, a passar para outra forma de vida mais evoluída? Será o resultado visível da imensidão de fungos, bactérias e virus que batalham cá dentro nos últimos quinze dias?

domingo, 22 de janeiro de 2006

de rodas nos pes

Lisboa junto ao rio estava fresca nesta tarde eleitoral, mas luminosa. E longe das urnas, das sondagens e da confusão dos locais de voto, umas dezenas de cabeças pequeninas e encapacetadas patinavam na marginal.
Não andava de patins há vários anos e temia os desiquilibrios em espaços públicos. (nao me parecia simpática a possibilidade de aterrar em cima de alguém com metade da minha idade e do meu peso). E lá me lancei, de mão dada a uma mão bem mais pequenina que a minha mas cheia de vontade de deslizar no cimemto junto ao rio.
E entre voltas e mais voltas, conversas e traquinices, se passou uma grande tarde. Uma tarde de pequenas confissões e promessas!
E ao que parece, continuo a saber andar de patins.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2006

a casca da tangerina cheira a Natal

"A casca da tangerina cheira a Natal" [L. 6anos]
As castanhas assadas na rua cheiram a Inverno.
A praia cheira a cenoura e côco.
Refogado cheira a jantares de família.
O doce das pipocas cheira a gente de passagem, no metro.
Os bébés cheiram a sono tranquilo.
Vinho tinto cheira a culinária com conversas.
Oregãos cheiram a Itália e cominhos a Marrocos.
A tinta cheira a casas ainda sem vida.
Os carros novos cheiram a alcatifa.
Bicas cheiram a Lisboa.
O Miguel cheira a mimos!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2006

Quando os peixes gritam…E deixam alguém a chorar de belo!

O espectáculo que Clara Andermatt coreografou para Faro2005, capital da cultura é, realmente, um grito surdo.
Colocar um grupo de crianças em palco e fazê-los dançar, cantar e representar não é simples. Mas pode também não ser complicado. Fazê-lo quando o que se diz é, para muitas das crianças um sem-sentido de palavras e o que se dança é uma sequência de movimentos sem nexo pode tornar-se num espectáculo ridículo ou genial. E aquela quarta à noite, no grande auditório do CCB foi mágica! Fiquei a admirar realmente o trabalho da coreografa ao ver aquela amálgama de crianças a estarem ao nível dos bailarinos e dos músicos, a conseguirem exprimir através da dança e do som um projecto que só pode ter também partido deles (de outra forma não estariam tão convictos neles próprios).
O grito do peixe é dança, mas não é só. É música, produzida e dançada em palco (por uma banda que também ela foi encenada). É música tocada e cantada pelos músicos e pelos não-músicos. São textos e palavras ditas em sequências de baile, com ritmo, repetição, gesto. E no que toca à dança…. Os movimentos são mesmos mágicos. Há uma cena só de colos e abraços que me deixou as lágrimas a escorrer pela cara. Há outra, com um homem de andas, em que o meu sorriso parecia não desmanchar do rosto. Há cenas que voltam a outras cenas de uma forma tão inesperada que me senti deslumbrada. Como alguém, que regressa ao meio de uma história para acrescentar qualquer detalhe que tinha escapado… e rápidamente se chega ao final de hora e meia de espectáculo, sem que o tempo tenha sequer um minuto a mais. E apetece deitar as costas no chão, esticar as pernas no ar e gritar pelos dedos dos pés, como os peixes!

terça-feira, 10 de janeiro de 2006

o grito do peixe


Nova criação de Clara Andermatt
Co-produção: ACCCA / Faro Capital Nacional da Cultura 2005

11 de Janeiro 2006
às 21h | Grande Auditório CCB

sexta-feira, 6 de janeiro de 2006

o poder da raínha maga!

_Professoraaaa, posso desenhar a Raínha Maga? _pergunta-me uma aluna cheia de vontade de desenhar princesas e fadas num desenho cujo tema era os Reis Magos.
_A Raínha Maga existe?!?!?!?!_pergunta-me outra menina de seis anos qu,e mais que incrédula, queria era entrar em confronto com a primeira.
_hummmm, hummmm _(páro para ganhar tempo ao perceber que a minha resposta ia ser decisiva nquela pequena guerra de argumentos e descobertas.)
_ Eu acho que não existe mas claro que a podes desenhar!!!

E passado algum tempo, a segunda menina volta à carga, aproveitando uma conversa sobre ouro, incenso e mirra:
_Olha lá, o que é que a Raínha Maga leva?
_Leva o poder do Amor _responde-lhe a amiga sem exitações.
_Mas o poder do Amor não é o que o bebé Jesus vem trazer ao mundo_ pergunto eu divertidíddima com a conversa.
_Sim, mas alguém teve de lho dar!!!!

E pronto, fiquei a saber aquele que apregoou o Amor durante três fatais anos da sua vida (e com isso mudou a história), recebeu-o de uma espécie de feiticeira com poderes especiais e asas (segundo o desenho da minha aluna).

terça-feira, 3 de janeiro de 2006

2005 | o ano dos grandes passos

Agora que paro, no início deste recém-chegado ano e olho para trás, sorrio ao rever o ano que, para mim, foi de grandes passos!
2005 foi tempo de perder medos e confiar. Em mim, no que sou e consigo fazer; nos outros e em todo o seu potêncial. (Saíram para a rua os meus primeiros trabalhos sérios enquanto designer e provei que tenho intuição para dar aulas!)
Foi o ano de me lançar. De cruzar desertos e oceanos por minha conta e risco. De descobrir outro mundo: novas culturas, outras formas de pensar e reagir. De ir pelo prazer de partir para o desconhecido. De registar as marcas que os outros deixaram em mim. (Corri mundo da Rússia à Argentina; da neve ao deserto!)
Foi o ano de reafirmar as minhas crenças: politicas, religiosas, humanas… de tomar opções de vida sérias como consequência do que acredito e de perceber que nem sempre é linear a fidelidade aos ideais que defendo com unhas e dentes. (E tive de engolir a vergonha de me ver a fazer o que critico aos outros e orgulhei-me ao perceber-me capaz de uma vida tão imaterial).
2005 foi tempo de aprender a pedir. De me tornar mais humilde, de me descascar aos poucos da minha auto-suficiência.
Foi o ano que, simbolicamente, marca a minha independência. (Casa nova, vida nova: a face visível de nos tornarmos adultos e responsáveis pelo nosso dia a dia!)
E quando a poeira de tão intenso ano parecia estar a assentar, alguém decidiu aparecer e contrariar os meus planos, as minhas convicções e revirar a minha vida trazendo-lhe novos sonhos, novas certezas e uma outra forma de olhar o futuro.
2006 será o ano das adaptações!!!

ressuscitei!!!

É verdade, quase dois meses sem escrever: sem organizar os pensamentos para outros, sem questionar o que sinto ou criticar o que vejo publicamente.
Foi mês e meio de hibernação para o mundo e de dedicação quase exclusiva ao trabalho. Foram quinze dias de natal e descanso.
Arranco neste novo ano com novas forças!

quarta-feira, 9 de novembro de 2005

o aviao branco

Gostei particularmente da forma como o brasileiro retratou Africa no filme the constant gardener. Não precisou do cliché do gigante pôr do sol para mostrar o calor e a beleza natural. Não precisou de se fixar na desgraça para mostrar a fome, a doença e a morte. Há um imenso humanismo na vida daqueles bairros que não têm mais que gente, demasiada gente, caixotes grandes a que alguém chama casa, pó e pouco mais. Há um gigante humanismo na forma de filmar os miseraveis arredores de uma cidade como Nairobi. Onde os sons das pessoas, a cor dos tecidos e os sorrisos mostram a vida que esquecemos que existe no fim do mundo.

Ao olhar Nairobi através da lente de Fernando Meireles, os meus olhos rapidamente se alagaram. Ver Tessa (Rachael Weisz) muito grávida no meio de um bairro onde provavelmente mais de metade das mulheres morrem de sida fez-me pensar que estar ali é aquilo que não tenho coragem de fazer. Já percebi que a minha capacidade de adaptação me concede o ser realmente feliz no meio do urbanismo de Lisboa e da miséria de um qualquer bairro de lata. A contradição de precisar de cinema e exposições e sobretudo dos que me são queridos e conseguir viver plenamente sem nada é assustadora. Mas é real em mim. Sei que a minha vida teria sentido também na outra ponta do mundo; sei que as minhas alegrias seriam igualmente fortes e as minhas tristezas igualmente dramáticas. Prevejo que a intensidade com que vivo tudo duplicaria e que seria mais complicado encontrar a paz no meio da injustiça humana.
O que para mim se tornou ontem mais claro foi o papel de cada um de nós num bairro como aquele. Porque os europeus, os norte-americanos, os ricos, (e não todos, só os que têm instinto de justiça e mudança) entram em Àfrica de uma forma muito aceptica. A chegada é feita em aviões brancos, de onde caem alimentos e medicamentos, de onde saltam médicos e membros de variadissimas ONGs que partem, repartem e acabam por partir eles próprios, de novo, em aviões imaculadamente brancos. E o avião do filme fez-me pensar que papel temos realmente na mudança destes países. Mesmo quando há quem entregue a vida por essa mudança.
E do cómodo que é fazer comentários on-line de uma boa casa em Lisboa arrisco-me a dizer que, se tivesse coragem de partir, eu quereria viver descalça na terra do nada.

sexta-feira, 4 de novembro de 2005

madrid

Volto de Madrid com a sensação que a cidade é cada vez maior, mais cheia de gente e menos característica. Exceptuando a benção que é ter o Reina Sofia e o Prado num espaço tão restrito, não me consigo deixar fascinar pelo resto: pelas ruas, pelas cores, pela arquitectura, pela vida…
Volto de Madrid depois de três dias de intensa visita de estudo com os meus alunos adolescentes. Que regressam com uma outra visão da pintura europeia e do relacionamento interpessoal.
Volto a Lisboa com a crença de que a educação escolar é muito mais que o tempo passado dentro da sala de aula.

terça-feira, 18 de outubro de 2005

O filme Azul




As expectativas que arrastei comigo para a sala de cinema eram perigosamente altas. Pelo "procura-se" simples e directo do cartaz, espalhado por Lisboa; pela beleza do site; pelo que tinha lido e, principalmente, pela apresentação cujo azul enche e preenche o olho humano.
E o azul é, a meu ver, o melhor dos retratos da angústia que o filme consegue fazer, da angústia e da solidão de um pai em deambulações por uma cidade fria, chuvosa, crua.
O azul e o silêncio que chega a pesar ao longo do filme. Esse sim, verdadeiramente angustiante e solitário.
E de resto, as lindíssimas imagens de uma outra Lisboa urbana e as fortes representações de dois excelentes actores não são suficientes para encher os demasiado minutos do filme.
Faltam causas e consequências na beleza desfocada de Alice.
Falta o que está para além da poesia.

sexta-feira, 7 de outubro de 2005

nos dias em que a vida nos sorri

Sempre tive a intuição que as grande coisas da vida são aquelas que nos trazem paz interior.
Há alturas de agitação, tumulto, alturas em que parece que tudo o que sentimos mal cabe dentro de nós e depois, como que por artes mágicas, a calma invade-nos o ser. [depois da tempestade, a bonança, diz a sabedoria popular ]
E quase me parece uma contradição que alguém cuja vida é sempre tão intensa, tão cheia de grandes passos e altos voos, se sinta em casa nos dias em que a vida sorri tranquila.
E por isso gosto de abraços. Porque são uma forma física e serena de selar compromissos.

quarta-feira, 5 de outubro de 2005

nasceu!

de segunda para terça, com a agilidade de uma menina que vai mudar várias vidas, a Maria encheu os pulmões de ar, pela primeira vez. E o mundo ficou um bocadinho mais bonito com a sua chegada!
Parabéns aos papás.