segunda-feira, 31 de outubro de 2011

domingo, 23 de outubro de 2011

legendary tigerman

é sempre bom ouvir o senhor.


sexta-feira, 21 de outubro de 2011

contagio

não é lá muito contagiante...


domingo, 16 de outubro de 2011

domingo, 9 de outubro de 2011

pets














Uma forma mais crua de ver Olga Roriz coreografar.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

PSY



Novo Circo não é sinonimo de Cirque du Soleil. E no que toca a criatividade e beleza, o que a culturgest tem apresentado nesta área é sempre superior ao "pacote impressionante e bem embrulhado" que nos oferece  o show business do circo canadiano.

PSY é também de uma companhia canadiana. Pequenina e que pretende trabalhar a uma escala mais huamana. O espetáculo que apresentaram o fim de semana passado junta a alegria do circo com as complicações da psique humana. Um casamento perfeito. Quem melhor que seres que andam poste acima ou voam no trapézio para falar de  manias, depressões, compulsões e sindromes de nome estranho. Afinal o mundo dos pés assentes na terra é bem menos interessante do que o que os
"7 doigts de la main" apresentaram.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Há muito que não me chateava tanto numa sala de cinema.
Eu não gosto de musicais e este então... que tédio.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

gosto | não gosto

Uma paragem atribulada para comprar bilhetes para o circo resultou num simpático encontro, numa conferência de fim de tarde e uma noite de teatro.
Há surpresas boas e dias em que se chega a casa mesmo satisfeito com os imprevisto.

não gosto de criticos (uma de quatro conferências de Jorge Silva Melo)
Israel, Teatro Praga no Maria Matos

domingo, 25 de setembro de 2011

howl ou a sagração da liberdade de expressão

I saw the best minds of my generation destroyed by 
madness, starving hysterical naked, 
dragging themselves through the negro streets at dawn 
looking for an angry fix, 
angelheaded hipsters burning for the ancient heavenly 
connection to the starry dynamo in the machinery of night,
[Howl, Allen Ginsberg]
Gostei especialmente da cadência de poema que o filme tem: das repetições, do ritmo, da sonoridade. Achei as animações muito fracas, sem qualquer coerência entre elas no desenho ou história. Tornam o filme vulgar quando podiam ajudar imenso ao imaginário de howl.

sábado, 24 de setembro de 2011

pedro cabrita reis


A força e limpeza da matéria é algo que sempre me fascinou na obra de Pedro Cabrita Reis. Há uma pureza, uma verdade no facto do vidro ser vidro, a madeira madeira, o verde verde, o ferro oxidar e o aluminio não. Gosto da rudeza, da brutalidade das suas peças. Como se só tivessem que ser exactamente aquilo que são, sem máscaras.

300 e tal obras expostas até ao próximo fim de semana no museu Berardo, CCB.
Vale a pena.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

cisne

Acho que gosto mais do cartaz que do filme. Mesmo gostando do filme.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

cão que morre não ladra

Em formato agora escolha (o público votava, depois de sentado nas bancadas, num dos três espetáculos disponiveis), a companhia de teatro do Chapitô apresentou novamente "Cão que morre não ladra". Uma comédia muito negra. Fiquei maravilhada com o trabalho de corpo dos mortos.

à meia noite tudo se transforma

Como é que uma história, que contada seria ridícula consegue ser tão apetecivel em cinema. Tão divertida, tão despretensiosa, tão leve.
Meia-noite em Paris, entre épocas de ouro e personalidades fascinantes. Mágico.

sábado, 10 de setembro de 2011

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

áfrica minha

Nunca morri de amores pela África que os outros me pintavam, antipatizava profundamente com Angola e sempre jurei nunca lá por os pés. Reforcei esta ideia a primeira vez que entrei no Consolado Angolano, em Lisboa para pedir um visto ordinário de entrada no pais. Raio de pais burocrático, caro e corrupto, que gosta de complicar e faz (des)esperar o mundo.
Paciência é a virtude de Angola.
Três semanas depois aterrava em Luanda, em transito para uma estadia em Benguela.

África entranha em nós.
Ouvia as pessoas dizê-lo porque descreviam uma espécie de paraíso: o por do sol que enche o céu de laranja, as savanas, os animais, as praias de águas límpidas e quentes. “a paisagem africana entranha em nós” seria a descrição mais precisa. Mas a minha paisagem é urbana e nunca me fascinaram as descrições poéticas do território sub-sahariano.
A África que conheci não tem savanas. Os animais que mais vi foram porcos – de um tamanho colossal e que passeiam à solta bairro fora. Dei comigo a filmá-los e questionava-me sempre a que casa recolheriam ao anoitecer.





Vim no tempo do cacimbo e pouco tempo passei nas praias. As que vi eram bonitas mas, com excepção da restinga, no Lobito, longe de paradisíacas. Têm miúdos que saem da escola e ali fazem uma paragem para dar um mergulho no mar e brincar na areia.





“Oncócua, como tantas outras vilas de Angola, foi desenhada com largas avenidas, para ser no futuro uma grande cidade. O futuro, todavia, atrasou-se. Talvez nunca chegue.“ –
A Mulheres do meu pai. José Eduardo Agualusa [uma das minhas leituras de férias]

Não sei se o futuro se atrasou a chegar a Benguela. Diria antes que há que ter paciência. Sei também que o dinheiro fica em Luanda e mesmo à segunda cidade desta Angola o que chega já lavou demasiadas mãos. Chaga diluído e para alguns.
Benguela deve ter sido uma cidade imponente. As largas ruas de grandes passeios e moradias de um modernismo de linhas rectas, ortogonais e diagonais. ainda impressionam. Até os gradeamentos são de diferentes motivos geométricos, padrões dos anos sessenta. Mas as casas e os prédios baixos estão velhos, desgastados pelo uso, pela falta de maquilhagem e pelo pó, que cobre a cidade de uma velatura amarela acinzentada. As estradas, mesmo as alcatroadas no centro da cidade têm enormes buracos. Ás vezes cheira bem, a pão acabado de fazer. Outras cheira a urina e ao podre do lixo. Impressiona olhar a cidade e pensá-la como cenário possível do paraíso que contam os portugueses que viveram à grande nas colónias. Possível mas inexistente, como as cidades fantasmas dos westerns americanos.

Depois, para lá da cidade há os bairros. Há Caponte, a Lixeira, Damba Maria, os Navegantes, a Graça, ...
A Graça fica no morro, à direita, quem vai na estrada de Benguela para o Lobito. Cá de baixo, da estrada, vê-se a igreja a espreitar na encosta. Os miúdos descem o morro sentados no resto de um caixote de lixo. O Hiace sobe o morro a custo, carregado de mamãs, alguidares com compras e jovens. (Não sei como subirá no tempo das chuvas). Leva também as únicas pulas que estão em Benguela sem carro e que se deslocam no aperto dos táxis colectivos.






As mulheres em Benguela ou têm uma barriga grávida à frente ou um bebé às costas. Como se o corpo só existisse com uma destas duas bossas. A vida não pára, nem se torna mais fácil em nenhuma das duas situações. As grávidas não deixam de carregar, num equilíbrio incrível, pesados alguidares à cabeça, as mães não deixam de trabalhar e para todo o lado levam os bebes agarrados a elas.
É-se mulher muito cedo, em África. É-se mulher demasiado cedo.









África entranhou em mim.
Levo o pó da cidade e do bairro da Graça no corpo.
Levo a casa da Esperança -  casa de braços abertos - no coração. Os almoços e mimos da manaLuísa (a salada de frutas com maracujá), os jantares onde se juntavam várias ONGs à mesa (e se discutiam conquistas e dificuldades de Angola, noticias de Portugal ou se divagava culináriamente), as gatas que pediam comida depois do jantar, “Uma família Moderna” projectada no lençol.
Levo o sorriso agradecido dos monitores de alfabetização depois de lhes dar formação e de lhes repetir sem fim que o que faziam era tão digno, tão válido que seria eu, em nome do mundo, que lhes deveria agradecer. “Alfabetizar é dar para sempre”

E levo os bons dias trocados com desconhecidos na rua. Os percursos de mota pela cidade. As viagens apertadas no hiace, entre mamãs simples e jovens vaidosos. O kuduro e as kizombas como música de fundo. O Lázaro a tocar viola, a um canto, lá em casa. Caponte, o lugar onde tudo se vende. A noite a dançar na TiJoana. O Wilson a falar de dança. As barulhentas festas de crianças, no quintal da cidade ou no bairro. O matar da fome com bananas ou milho assado, comprados na rua. O tempo do teatro. As sessões de cinema em casa do padre J. O muro da Graça a ganhar cor. Os miúdos a brincarem e a chamar-me mulata. Cucas em frente à praia Morena.

Levo comigo uma África pausada, sem kumbu nem maca.

Afinali há uma Angola que já é minha.
Obrigada T, P e S.



hiace (lê-se íásse) = táxi colectivo de trajecto pré definido mas com paragens mais ou menos livres, onde viajam o dobro dos passageiros da lotação do Toyota Hiace. Tem sempre música de fundo altíssima e as viagens são uma animação.
kumbu =dinheiro
maca = problema
pausa = estilo
pula = branca

quarta-feira, 27 de julho de 2011

eu e o mundo

Agosto de 2005
Lembro-me de atravessar a correr o aeroporto de Madrid. O atraso do voo de Lisboa quase me fez perder a ligação. Foi a minha primeira grande viagem sozinha. Atravessei o Atlântico sem ninguém ao lado. Aterrei em Buenos Aires, para uma estadia de um mês sem conhecer ninguém naquela Argentina cinzenta e invernosa. Foi uma grande experiência. Foi um óptimo Verão.
Ao longo dos anos fui percebendo que viajar para mim é vital. Ver o mundo, perceber as culturas, as formas de estar e de pensar. Sentir as diferenças. E viajar sozinho não é tão assustador como apregoam os que estão habituados à segurança de um outro ser.

Julho de 2011
Sentei-me de computador ao colo a ver os aviões aterrarem, ao longe. E as pessoas a passarem. E sinto-me estranhamente confortável neste espaço-território-de-ninguém. Parto novamente sozinha. Rumo a África, desta vez. Lá fora o sol começa a baixar e torna a luz neste canto do aeroporto muito Lisboeta.
Última chamada para o voo....

quinta-feira, 21 de julho de 2011

segunda-feira, 18 de julho de 2011

pequenas mentiras entre amigos

Adoro filmes do quotidiano, adoro filmes de pessoas banais, adoro histórias daquilo que não fica na história. E este foi uma óptima surpresa. Um grupo de amigos de longa data e as relações entre eles, relações de grande amizade, apoio e aceitação mas também de pequenas/grandes mentiras, de vidas de aparência. Saí do cinema lavada em lágrimas a pensar na autenticidade das amizades e no que o passar do tempo as pode (ou não) desgastar.

Pelos amigos fazemos tudo. Estamos lá incondicionalmente. Apoiamos mesmo quando não concordamos. E ao mesmo tempo vivemos de uma espécie de imagem comparativa: quem tem a maior casa, o melhor carro, o casamento mais estável, quem viaja para os locais mais exóticos. Até os filhos são motivo de silenciosas comparações: o número, a personalidade, a educação... quais seres amestrados nas mãos dos adultos! 
Porquê as pequenas mentiras?